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novembro 1, 2010

Os olhos dela

Filed under: sentimento — Rafael Slonik @ 12:01 pm

Ela tem olhos lindos, tem um corpo tentador, um rosto de linhas viciantes. Queria tê-la apenas para olhá-la. Os beijos seriam apenas uma forma de satisfazê-la. O sexo idem. Desejo além de tudo estar junto daqueles olhos para descobrir os traços da íris, e o tom exato daquele verde. Todos os dias eu passaria a mão no rosto dela e aprenderia a reconhecer todas as imperfeições que a fazem – você deve imaginar qual a palavra – perfeita. Perfeita para mim, do mundo não me recordarei quando estiver com ela. Perfeita para o mundo não precisa ser, eu seria o mundo, seria o que ela quisesse. Tudo para olhar aquele olhar dia após dia.

Mas ela não tem interesse em alguém que a reconheça como o ponto perfeito do universo. Ela não quer alguém que a ame e apenas a ela. Ela não entende o quanto eu desejo tê-la para – adivinhem a palavra – sempre. O que esta mulher pretende, é ser inconstante. É ter crise após crise, injustificadas, e ter um ombro que a ouça nos momentos de fraqueza. Ela é egoísta, e a felicidade não quer compartilhar com alguém que apareceu por um capricho da vida. Ela não sabe, mas de tudo o que é possível, o melhor está ali, pronto para ela. Talvez seja como a criança que deseja crescer, e quando cresce não consegue deixar de sentir saudades lascivas da infância.

Dessa mulher que falo, eu conheço o futuro. Ela irá cair em mãos que só querem usá-la como fazem com uma pedra que jogam no lago para divertir-se na contagem de pulos que ela negocia com a superfície da água. E por vezes ela vai afundar, e afundar. E aqui não é fundo do poço apenas por não se tratar de um poço, e sim de um lago, que seja: fundo do lago. É lá que ela vai perecer por não enxergar o quanto eu a desejo.

E qual a culpa desta mulher que não reserva interesse por mim, e que tem olhos agressivos? Nenhuma. E por isso que eu continuo a amá-la até quando o momento do nosso encontro no fundo do lago chegar, eu como uma isca descontente com o trabalho de sempre, irei nadar até ela e abraçá-la. Quando a luz cegar seus olhos, ela terá por mim um carinho infinito, e logo depois vai me amar. Sei que não terei passado a vida com aquele corpo, com aqueles olhos e com aquele rosto, em tantos outros corpos terei procurado o dela, tantas serão as garotas amadas, mas em todas elas verei olhares inertes. Os corpos que vou beijar, eu já sei, não terão a cor do dela. Será, enfim, meu olhar focando o dela.

Por que você é tão linda a ponto de me fazer ter um futuro conhecido? Existem outras como você? Eu preciso de esperança. Pena que só encontro esperança em seu olhar. E ele não é meu.

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Texto criado em uma sexta-feira 13, janeiro de 2009.

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