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	<title>Conselhos Não Recomendados &#187; passado</title>
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	<description>por Rafael Slonik</description>
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		<title>O fígado da geladeira</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jul 2011 17:56:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Slonik</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A memória humana é incrível. No almoço de hoje passei no bufê pegando de tudo um pouco, e de repente avistei uma tigela com fígado. Alguns odeiam, e outros que como eu amam, jamais esquecem lembranças que envolvem algo que desperta sentimentos tão antagônicos. A lembrança foi conveniente e trouxe um sentimento de lar, de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A memória humana é incrível. No almoço de hoje passei no bufê pegando de tudo um pouco, e de repente avistei uma tigela com fígado. Alguns odeiam, e outros que como eu amam, jamais esquecem lembranças que envolvem algo que desperta sentimentos tão antagônicos.</p>
<p>A lembrança foi conveniente e trouxe um sentimento de lar, de aconchego, de quando eu era criança. Lembrei a época da infância, em que nas tardes ociosas fuçava a geladeira atrás de qualquer coisa para comer.</p>
<p>Então de vez em quando deparava-me com um prato com sobras da carne do almoço, e algumas vezes essa sobra foi de fígado empanado. Eu devorava aquele fígado empanado naquele estado, gelado, e era melhor que tudo.</p>
<p>E é incrível como o valor das coisas aumenta quando não se tem mais, como o fígado empanado na geladeira numa tarde qualquer da minha infância.</p>
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		<title>As meninas e meus sonhos</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Feb 2010 13:04:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Slonik</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Como todo adolescente normal, eu era frustrado quanto as mulheres. Não bastasse meu próprio corpo e pior, minha cabeça, passando por transformações explosivas, ainda tinha que tentar entender as mulheres e o porque de me sentir atraído por algumas em especial. Jamais tive uma paixão correspondida, o que me faz até hoje cuspir em todos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-201" title="dream" src="http://slonik.com.br/rafael/wp-content/uploads/2010/02/dream.jpg" alt="dream" width="500" height="333" /></p>
<p>Como todo adolescente normal, eu era frustrado quanto as mulheres. Não bastasse meu próprio corpo e pior, minha cabeça, passando por transformações explosivas, ainda tinha que tentar entender as mulheres e o porque de me sentir atraído por algumas em especial. Jamais tive uma paixão correspondida, o que me faz até hoje cuspir em todos os clichés de amor, e aprendi tarde a namorar (o que tanto não importa agora).</p>
<p>Tudo o que fui é o que sou e o que vou ser, se eu me arrepender de qualquer coisa do passado meu presente será automaticamente depreciado e a posibilidade de deprimir-se com isso é gigante. Tento acreditar que a vida não tem dessas coisas de bem ou mal, deus ou diabo, você simplesmente vive. As coisas vão acontecendo e temos pouco controle sobre tudo.</p>
<p>Já dormi ao lado de princesa para acordar ao lado de abóboras, o efeito mágico do álcool quando entra em nossas vidas é coadjuvante de fatos que viram história, e alguns, lendas. Conheci algumas garotas bonitas, mas as pontas de paixão eram logo deixadas pro vento, e lá estava eu novamente imerso na minha ideologia contra ideologias, racionalismo é vida, essas coisas de rebeldes sem causa. A maior parte mesmo foram garotas &#8220;não-bonitas&#8221;, que também perdidas nesse mundo que não reage da forma como mostram nos filmes, aceitavam um tempinho de prazer e diversão. Devidamente descartado no outro dia juntamente com a sacola de lixo onde estavam as camisinhas usadas.</p>
<p>Como disse, se arrepender do passado é um mero reflexo de um presente inóspito aos teus sentimentos, é um dia frio que te faz ver universos paralelos nos quais você brinca, em águas quentes dos trópicos, com uma garota linda (não esquecer que nestes sonhos nosso corpo é a perfeição grega de beleza). Ainda não sei qual vem primeiro, se o sonho ou se o arrependimento.</p>
<p>E os sonhos também tem jurisdição no futuro, por isso são poderosos. Desde a minha adolescência sonhava em ser independente, ter uma vida interessante e conhecer meninas legais. Aí cresci e tenho nas minhas mãos dois filmes: um me mostra realizado, feliz, independente, conheci meninas legais e várias vezes sob a garoa parei meu carro em respeito a um sinal vermelho ouvindo músicas inebriantes. E n&#8217;outro estou preocupado com meu futuro, sem saber se realmente sou independente, que conheci garotas estranhas, quando fiz coisas que não deveria, no carro sob a garoa, entristecido por ter pensado que meus sonhos eram tudo o que eu precisava.</p>
<p>Não sei, enfim, se as meninas dos meus sonhos existem, ou se meus sonhos novamente não são o que eu preciso de verdade. Talvez aqueles chiclês de amor em filmes alternativos sejam um saída, afinal, é a vida.</p>
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		<title>A morte do meu avô</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Dec 2009 20:22:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Slonik</dc:creator>
				<category><![CDATA[passado]]></category>

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		<description><![CDATA[Jamais vou saber quais eram os sonhos dele, quais as aspirações, o que o motivava a continuar vivendo e a cultivar seu pomar. Não lembro qual minha idade nos momentos com ele que me marcaram, como no dia em que ele doente estava internado em um hospital de Curitiba. Meus pais e eu viemos de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jamais vou saber quais eram os sonhos dele, quais as aspirações, o que o motivava a continuar vivendo e a cultivar seu pomar. Não lembro qual minha idade nos momentos com ele que me marcaram, como no dia em que ele doente estava internado em um hospital de Curitiba. Meus pais e eu viemos de Ponta Grossa para Curitiba para visitá-lo, e como não permitiram minha entrada no hospital fiquei umas três horas para fora aguardando, sentado em uma cadeira na calçada em frente a uma lanchonete. Este foi o dia em que me apaixonei pela capital do Paraná e decidi que era meu sonho vir morar aqui.</p>
<p>Meu avô, de todo que lembro, sempre morou na sua casinha azul em frente ao Mercado do meu tio. Cultivava de tudo um pouco e mantinha a perfeita organização das coisas, alface aqui, tomate alí, árvores podadas, mandioca lá no canto. Sempre tinha cachorros, que o adoravam. Casou-se com uma mulher muitos anos depois que minha avó tinha falecido (antes de eu nascer). Num ponto qualquer do tempo separou-se. Ficou triste. Sofreu com problemas do coração. E num dia morreu.</p>
<p>Era meio dia, no horário de almoço eu e meu pai em casa esperando minha mãe terminar o almoço. Se não me engano foi minha mãe quem atendeu, e com os olhos já lacrimejados passou o telefone para meu pai. Foi um choque, foi um soco na racionalidade com a qual as questões geralmente são tratadas lá em casa, além disso, as ligações ruins são singulares, sempre sabemos pela expressão de quem atende que não se trata de algo bom. Olhei pro meu pai, olhei pra minha mãe, ela falou &#8220;Seu vô, Rafael. Seu vô&#8221;.</p>
<p>É pela presença que sentimos a falta. Somente o ser humano compreende passado, presente e futuro. É por isso que temos apego às coisas e às pessoas. Meu avô ia frequentemente visitar a loja do meu pai na qual eu trabalhava, e passou a não aparecer mais, a morte em si não causa dor, é a sua consequência que nos deixa vulneráveis.</p>
<p>Saí com meu pai em direção à casa do meu avô, chegamos lá e algumas pessoas estavam aglomeradas próximo da porta. Entramos, e lá estava meu avô caído próximo da porta do banheiro, seu coração parou e o fez ficar alí mesmo. Estava de olhos abertos ainda. Meu tio, o qual não tenho muito contato, estava respirando rápido olhando por todos os cantos e esperando um choro que não lhe vinha. O mesmo aconteceu com meu pai. E eu. Meu pai então se abaixou e puxou as pálpebras do meu avô. A partir daquele momento ele não veria mais nada.</p>
<p>Ele trocava o nome dos personagens de novelas, achava que um personagem estava em duas novelas ao mesmo tempo, e falava sozinho vendo TV. De vez em quando ia lá em casa, e meu pai assava carne no forno, minha mãe fazia purê de batata, arroz, alguma salada e algum outro prato que não recordo agora. Jantávamos, e depois meu pai o levava até sua casa, ele nunca gostou de posar fora de casa, assim como minha avó materna. As pessoas idosas valorizam o lar de uma forma incompreensível para nós jovens.</p>
<p>Queria lembrar de tempos anteriores, queria lembrar do tempo em que eu tinha meus dois vôs.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-190" title="estefano-sezefredo" src="http://slonik.com.br/rafael/wp-content/uploads/2009/12/estefano-sezefredo.jpg" alt="estefano-sezefredo" width="500" height="376" /></p>
<p>Queria lembrar da relação deles, se é que eu tinha percepção suficiente para entender como era a relação deles. Um gordo e um magro, eu ainda quero escrever sobre o Sezefredo Severino, meu outro vô, o qual morreu antes e tenho ainda menos lembranças, como a dos almoços em que ele ia na minha casa sempre tendo meus primos a tira colo. Barulho da panela de pressão, acordo, vou com os olhos semi abertos procurando o colo da minha mãe, e vejo que meu vô está lá, peço a benção e fico por alí.</p>
<p>Estefano Slonik foi o meu vô. E por fotos sei que ele cuidava de uma fazenda, eu era pequeno demais e não lembro. Sei que ele não gostava do Lula, também pudera, meus bisavôs fugiram do comunismo do leste europeu. Qualquer fagulha de comunismo era rapidamente rebatida por ele como o pior dos males.</p>
<p>A morte do meu avô, no momento em que o vi, senti algo indescritível. Hoje entendo o que era, era paz. Paz por saber que ele viveu e morreu, cumpriu o caminho que é determinado para todos. E sinto-me em paz ao lembrar dele, apesar da falta de oportunidade para ouvir e entender mais histórias, é isso que a lembrança do meu vô me trás, é paz.</p>
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